terça-feira, 4 de julho de 2017

Viúva do caminhoneiro vítima de descarga elétrica questiona posição do poste que provocou o acidente no posto em Alegrete



“Foi uma fatalidade diante de um ato heróico. Ele imaginou que poderia ter alguém na cabine do caminhão, que estava incendiando. Quando ele viu o poste caído e, o início do fogo, correu até os funcionários do posto pediu ajuda e, mesmo diante do alerta de que seria perigoso, se aproximou” – esse relato é da viúva do caminhoneiro, Miguel Ângelo Krejci, de 33 anos, conhecido por Guinho.
A informação foi repassada pelas testemunhas que estavam no posto de combustíveis, no momento do acidente, na última terça-feira(27). Dayane Laubing Frandalozo, de 28 anos, foi comunicada da morte do esposo pela assistente social da Santa Casa de Alegrete.
Ainda muito emocionada ela descreve que, eles eram casados há 7 anos e, Miguel era apaixonado pela família. “Todos os esforços diários era para dar o melhor para os filhos. Tenho duas filhas de 11, 9 anos e um menino de 2 anos e meio, Emili, Leticia e Felipe”, informa.
“Somente o pequeno é filho biológico, mas ele tratava minhas filhas como se fossem dele, nunca deixava de dar um beijo nelas, antes de sair. Tudo o que ele comprava para o nosso filho, as meninas também ganhavam. Era um homem trabalhador, íntegro e de bom coração. Um pai de família exemplar, tinha uma verdadeira dedicação ao filho pequeno, cita a viúva.
Miguel, era natural de Santo Ângelo, mas morava com a família em Uruguaiana, onde a mulher é cabeleireira e tem um salão junto a casa onde mora.
No dia do acidente, durante a madrugada, o trabalhador, ajudou nos cuidados com o Felipe que estava com febre. Saiu de casa por volta das 7 horas e ligou várias vezes pra saber do filho, o último horário que eles falaram foi às 11h45min. “Se eu soubesse que seria uma despedida teria abraçado mais, beijado mais, parece que era mentira quando ouvi que ele estava morto, entrei em desespero” – comenta.
Filho e irmão de caminhoneiros, a carreta que Miguel trabalhava é dos pais, que residem em Santo Ângelo, onde foram realizadas as últimas homenagens na quarta-feira(28).
A companheira argumentou que Guinho trabalhava e cuidava da carreta como se fosse dono. Em 20 anos de estrada o profissional, que era católico, nunca tinha sofrido acidente e, este era um dos receios que tinha, ao sair de casa.
Conforme Dayane, os pais estão inconformados e a mãe precisou de assistência médica, durante o velório. “Ela foi atendida três vezes por ter perdido os sentidos. Miguel era o caçula e estava sempre em contato com os eles. Desde os 15 anos ele andava nas cabines dos caminhões com o pai.” – falou.
Conhecido no Chile, Argentina e muitos estados, Miguel parou de realizar viagens mais longas, depois do nascimento do filho. Essa decisão foi porque o desejo era se manter o mais perto da família possível.
Desde fevereiro quando iniciou a safra de arroz, Guinho ficou com viagens “curtas” e nas últimas três semanas estava retornando diariamente para casa. Dayane disse que ele saia às 7h e retornava até às 20h.
Dayane conclui a entrevista, dizendo que está sendo muito complicado, em especial ao filho que era muito apegado ao pai.” Sempre que ele estava em casa, Felipe ficava sempre acompanhando Miguel, onde ele ia. Quando ouvia o som da carreta chegando, brilhava os olhos e ficava na frente da casa esperando para entrar na cabine. Ele vai fazer muita falta para nossos filhos e para todos.”
Outro questionamento que a viúva fez diversas vezes foi quanto ao local onde estava o poste e conforme ela verificou, sem sinalização ou proteção.
Durante a entrevista por telefone, Dayane falou que a informação foi de que ele foi dar marcha ré e bateu no poste de energia.
Com o impacto, o poste caiu sobre o caminhão estacionado e iniciou o incêndio. Miguel saiu correndo e pediu ajuda aos funcionários. Na sequência, mesmo com a orientação para não se aproximar, falou várias vezes que precisava se certificar que a cabine estava vazia. Quando se aproximou levou a descarga e morreu no local. O acidente foi na última terça-feira(27), às 15h.
Foi instaurado inquérito para apurar as causas do acidente, conforme Delegado Peterson Benitez. O caso está sendo apurado pelo Delegado e equipe investigação.
Em contato com a RGE foi informado através da assessoria de imprensa que o poste encontra-se dentro do alinhamento técnico correto da rede elétrica, instalado na faixa de domínio da rodovia.
A direção do posto não quis se manisfestar sobre o assunto.

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