sexta-feira, 12 de maio de 2017

Santana e Mônica abrem caixa-preta de campanhas municipais do PT


               Gleisi Hoffman, Marta Suplicy, Fernando Haddad e Patrus Ananias 


Em suas delações premiadas fechadas com a Procuradoria-Geral da República e tornadas públicas nesta quinta-feira pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o marqueteiro João Santana e sua mulher, Mônica Moura, detalham como receberam, via caixa dois, 38,6 milhões de reais das campanhas municipais dos candidatos petistas Marta Suplicy (hoje no PMDB) e Gleisi Hoffmann, em 2008, e Fernando Haddad e Patrus Ananias, em 2012.
Veja o que o casal disse sobre cada um deles em suas delações:

Marta Suplicy (São Paulo, 2008)

João Santana declarou à PGR que a hoje senadora pelo PMDB paulista participava ativamente das tratativas relativas ao financiamento de sua campanha em São Paulo em 2008 e tinha conhecimento dos pagamentos de caixa dois intermediados pelo ex-ministro Antonio Palocci.
Segundo Mônica Moura, a comunicação política da campanha de Marta à prefeitura paulistana naquele ano custou 18 milhões de reais, dos quais 10 milhões de reais pagos “por fora”, sem declaração à Justiça Eleitoral. “Como usualmente acontecia, Antonio Palocci exigiu que Mônica Moura recebesse parte deste valor por fora: uma parte em dinheiro em espécie entregue em São Paulo e uma parte seria paga pela empresa Odebrecht que, novamente, exigiu que fossem realizadas transferências no exterior”, diz a delação.
O dinheiro do caixa dois entregue em espécie em São Paulo foi repassado aos marqueteiros, de acordo com Mônica, por Edson Ferreira, então tesoureiro do PT paulista, e Juscelino Dourado, ex-assessor de Palocci. Os valores pagos pela empreiteira foram depositados na offshore Shellbill, mantida pelo casal na Suíça.
Os 7,5 milhões de reais restantes devidos pela campanha da senadora, por orientação dela própria e de Palocci, teriam sido encaminhados por Ferreira e declarados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Santana também relatou à PGR um pedido “curioso” de Marta Suplicy: que ele contratasse o então marido dela, o argentino Luis Favre, “que precisava de emprego regular por ser estrangeiro”. De acordo com o delator, Marta disse a ele que o salário pago pela empresa de marketing político a Favre a título de consultoria, 20.000 reais ao longo de um ano, seria compensado no dinheiro “por fora” pago ao marqueteiro.

Nenhum comentário: