terça-feira, 25 de abril de 2017

Relatório do ministério será usado na investigação da Polícia Civil sobre caso dos trabalhadores mortos soterrados em São Luiz Gonzaga



A análise preliminar do Ministério do Trabalho dá conta que algumas medidas de segurança não foram cumpridas na unidade de São Luiz Gonzaga da C Vale. No domingo, dois trabalhadores morreram soterrados no local. O auditor Rudy Allan Silva, esteve na cooperativa ontem. Ele fez a análise técnica e conversou com o gerente da unidade e advogados da C Vale.
Em entrevista, ele destacou que serão feitas avaliações de gestão e operacionais. "Ainda não temos quais normas foram descumpridas, mas teremos em breve", explica. No entanto, a análise preliminar do especialista indica que algumas normas não foram cumpridas, o que resultou no acidente.
"O fato é que para o resultado ter ocorrido, houve preliminar leitura de que aspectos de gestão de segurança não existiram", afirma Rudy. Ele determinou que as operações em espaços confinados e altura sejam interditados. "Só retornaram quando a cooperativa confirmar que as reformulações sejam feitas", pontuou. Conforme o auditor, a interdição já é uma repercussão do caso. "É uma medida cautelar e preventiva", destaca.
O relatório do ministério também será base para a investigação da Polícia Civil. O documento é chamado de árvore de causas. "Estabeleceremos uma árvore com as causas que resultaram no acidente", detalha.
Conforme a delegada Elaine Schons, responsável pelo caso, as informações do auditor são importantes para o inquérito. Ela também colheu ontem depoimento do gerente da unidade, que estava acompanhado de advogados. A delegada ainda vai usar as imagens do circuito interno de câmeras do local.
Segundo Rudy, a C. Vale também poderá ser responsabilizada de forma administrativa. "Poderemos autuar por itens que não atenderam, dando margem ao evento fatal", ressalta.
Leitura triste
Este não foi o único caso recente no Rio Grande do Sul. O auditor relatou que na semana passada um trabalhador morreu soterrado em grãos quando trabalhava em uma cooperativa. O caso aconteceu em São Vicente do Sul. "Os acidentes estão nos rondando. Foram três acidentes fatais em poucos dias, uma leitura triste, infelizmente", enfatiza. Ele cita que a pressa e o atropelo do trabalho não podem justificar o não cumprimento de normas.
Orientações
O especialista orienta empresários da área que tenham um profissional capacitado em segurança do trabalho. "Sem uma assessoria especializada, fica difícil cumprir todas as medidas de segurança de forma eficaz", explica.
Ele ainda argumenta que no caso desse tipo de serviço, é importante o cumprimento das normas NR 33 e 35. A primeira trata do trabalho em espaços confinados e a segunda do trabalho em altura.
C Vale está colaborando com a investigação
Os advogados da cooperativa, que reiteraram as informações em nota enviada à imprensa. Eles também informaram que estão colaborando com todas as investigações do caso. 

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