segunda-feira, 17 de abril de 2017

Baixo preço pago pela soja preocupa produtores do Rio Grande do Sul

Baixo preço pago pela soja preocupa produtores do Estado Lucas Amorelli/New Co DSM

A colheita da safra de soja já ultrapassa a metade da área. As lavouras somaram uma área plantada recorde na região, e a colheita já chega a 56% dos cerca de 921 mil hectares semeados. Todos esses são motivos de comemoração, não fosse o baixo preço pago pela saca do produto que contrasta com o custo do transporte da produção.
A soja está sendo vendida a R$ 55 em média, R$ 10 ou 15,4% menos do que em fevereiro. Mesmo com produtividade alta, com médias de 51 sacas de 60kg por hectare, o preço de venda da colheita é preocupante.
– Fala-se em colheita recorde e todo mundo fica achando que o produtor vai encher o bolso de dinheiro. Mas não vai ser assim. Os produtores vão ter uma receita menor do que tiveram na safra passada, mesmo com a produção maior. O preço da soja caiu cerca de R$ 23 por saca. Já o preço do frete aumentou em média R$ 15 por tonelada. E não foi só a soja que desvalorizou. O arroz, o milho e o trigo também – explica o gerente comercial da Cooperativa Agrícola Mista de Nova Palma (Camnpal), Leopoldo Uliana.
No Estado, a lavoura de soja está 65% colhida, segundo a Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado do Rio Grande do Sul (FecoAgro/RS), que estima um crescimento entre 12% e 18% da produção, em relação à última safra, chegando a 18 milhões de toneladas. Cerca de metade da produção de grãos no Estado passa pelas cooperativas. 
O presidente da entidade, Paulo Pires, confirma a preocupação com o preço de venda da soja. Do melhor preço registrado pelas cooperativas em 2016, em 15 de junho, a cotação caiu 36%, de R$ 86 para R$ 56 a saca, conforme registrado em 4 de abril. A consequência é o ritmo lento na venda dos grãos por parte dos produtores, que devem aguardar resultados da safra de soja nos Estados Unidos.
Fretes e armazenagem também preocupam as entidades, em relação ao aumento do preço, no primeiro caso, e aos silos ainda estarem ocupados com grãos colhidos em 2016:
– Existe até a expectativa de que, em algum lugar, possa haver colapso na armazenagem. Temos também um estoque de passagem muito grande em relação a 2016, quando as safras de trigo e milho não foram totalmente comercializadas – diz Pires.

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