sábado, 18 de fevereiro de 2017

"O clube chegou em um lugar que eu jamais imaginava!", afirma Giovanni Luigi ex-presidente do Internacional



Quem vê aquele senhor grisalho de olhos claros, sorridente, abrindo a porta de um longo corredor na Rodoviária de Porto Alegre não imagina a pressão que ele viveu durante quatro estressantes anos de sua vida. Semblante tranquilo e gentil, ele recebe o repórter Fabiano Brasil. Nem de longe lembra a expressão fechada e preocupada que carregou entre 2010 e 2014 quando comandava um clube com receita de muitas cidades do interior do estado. Trata-se de Giovanni Luigi, ex-presidente do Sport Club Internacional. Alvo de críticas na época, e um dos grandes personagens da construção do novo Beira-Rio, Luigi, é o diretor da Estação Rodoviária Central da Capital há muitos anos (inclusive esteve paralelamente na função quando mandatário colorado). 

Com este clima de cordialidade e gentileza, confortavelmente instalado em uma cadeira de sua sala, depois de uma longa conversa sobre negócios e futebol, o ex-presidente concedeu esta entrevista no final da manhã da última terça-feira:

Fabiano Brasil - Como o senhor viu a queda do Internacional? E agora, nas mãos de um presidente que também é seu amigo, Marcelo Medeiros? 

Giovani Luigi - Lamentavelmente no ano de 2016, por uma série de erros dos mais diversos em todas as áreas do clube, que acabaram também repercutindo no futebol, o clube chegou nesta situação. Só lembrando, que em 2014, nós chegamos em 3º lugar, entrando na fase direta da Libertadores em 2015 e já com essa diretoria, mesmo assim, não foi uma campanha tão ruim, pois chegamos em 5º lugar, mas em 2016, por uma série de desmandos e de erros dos mais diversos o clube acabou chegando num lugar que eu jamais imaginava, ainda mais com essa torcida, com esse número de mais de 100 mil sócios, com esse estádio extraordinário... não poderia ter acontecido isso com o Internacional. Isso foi se desenhando ao longo do ano, depois do 2º semestre principalmente. Cabe agora, ao Marcelo Medeiros, que é um presidente do qual eu apoiei e do qual eu acredito, que ele possa fazer uma grande gestão juntamente a todos que compõem a sua diretoria, em especial, o Roberto Melo, por ser o vice-presidente, para fazer com que o Internacional volte ao seu lugar em 2018 fazendo um trabalho forte com o apoio da torcida que sempre foi fundamental para o clube. Todos os títulos do Internacional, os três campeonatos brasileiros, Copa do Brasil, Sul Americana, Duas Recopas, Duas Libertadores, tudo foi ganho dentro do Beira-Rio, nas finais, então, o estádio sempre fez a diferença pela sua torcida e eu acredito, que a torcida, será novamente fundamental em 2017. Nós temos uma diretoria, na qual eu apoio e concordo com a eleição deles, entendo que são pessoas dignas e imbuídas de fazer o melhor pelo clube. 

Fabiano Brasil - Presidente, sua gestão teve 4 anos. O que o senhor fez e se arrepende? 

Giovani Luigi - Olha, publicamente não tenho nada forte para dizer que eu tenha me arrependido, quis o destino que eu não pudesse jogar mais de um ano no estádio Beira-Rio, mas também por outro lado, quis o destino que eu entrasse para história, como um dos dirigentes que lutou e fez com que tivéssemos um estádio extraordinário e magnífico, com a melhor tecnologia que existe no mundo hoje. E sabe quanto a gente paga de prestação por mês? Nada! Nada! O Internacional tem um estádio quitado e o grande negócio foi trocar por areas. O Internacional cedeu alguns ativos (que inclusive não tinha), como edifício garagem, Skybox, camarotes que não tinha... Nós cedemos aquilo que a gente não tinha por 20 anos, e agora, daqui 1 mês e meio já se passaram 3 (destes anos). 


Fabiano Brasil - E o que o senhor fez que se orgulha foi exatamente isso? 

Giovani Luigi - Foi ser digno como presidente, correto e honesto em todos os sentidos. De ter feito o melhor sempre olhando a instituição, mesmo que isso sacrificasse uma série de questões. Eu me lembro que a própria negociação do Oscar, que foi a maior da história do futebol gaúcho (vendemos o Oscar por 25 milhões de euros), a venda do Damião, a venda do Fredinho (meia Fred, para o Shaktar), a permanência do D' Alessandro, (naquela época era fundamental que ele permanecesse no Internacional)... Essa foi uma questão difícil, mas ele acabou ficando. Isso nós podemos ver, o D' Alessandro fez muita falta em 2016, olhem em 2012, quando foi a questão toda de como ele era importante (só para citar um exemplo). Então eu entendo que me doei naquela período. Eu que quis ser presidente, sempre disse para o Marcelo, você quer ser presidente? Porque 'tu' não vai ter um final de semana de folga ou porque o jogo é em Porto Alegre ou fora, 'tu' sempre vai estar envolvido, sempre preocupado, são as contas para pagar, aquela dificuldade toda, contratação de jogadores, jogadores lesionados. Eu quis ser presidente, no momento em que quis, sabia de todas essas questões, é um orgulho muito grande ter sido presidente do clube que eu amo, do clube em que joguei quando era criança, que o meu filho jogou. Então saber que eu dei o meu melhor, fiz o meu melhor e o último título internacional que o clube tem, foi na minha gestão. Conquistei todos campeonatos gaúchos que eu participei e entreguei o clube na Libertadores no final de 2014.

Fabiano Brasil - Presidente, se você pudesse falar e você pode evidentemente. Qual a receita para o Internacional voltar para série A? 

Giovani Luigi
 - Primeiro, ter uma empatia com a torcida, chamar ela para que nos jogos aqui, nós sejamos determinantes. Vamos ter que fazer no mínimo 80% de aproveitamento no Beira-Rio. Fora, vamos ter jogos dificílimos, ou porque estaremos em estádios acanhados ou porque o gramado não vai ajudar, ou porque a torcida fica muito perto, enfim, viagens longas, logística dificílima. Então, fazer um grande aproveitamento, com o torcedor comprando a ideia. Ter um grupo de jogadores mesclado com alguns um pouco tarimbados de 25 à 28 anos (talvez seja isso que tenha faltado em 2016) é fundamentalmente: ter todos eles e o compromisso e a união deles. Isso é fundamental no futebol. Isso o Tite faz, o Abel, o Dorival. Também se decide porque o grupo de jogadores compra a ideia da direção, da comissão técnica de ter um grupo fechado, um grupo unido. Isso é importante no futebol, que ocorra a entrega! Entrega nos treinamentos, o compromisso daqueles jovens (pois são jovens de 20 à 30 anos) de saberem dos cuidados que eles precisam ter. Porque eles vão ter jogos dificílimos, então a gente sabe que os jogos do campeonato da série B, eles são extremamente difíceis também. Nós não podemos achar que por "decreto" podemos subir. Isso não vai acontecer e as pessoas que estão nos ouvindo agora, vão se lembrar do que estou falando. Só quem acompanha os jogos da série B, sabe disso. Então, é isso fundamentalmente, eu tentei resumir respondendo à sua pergunta. 


Entrevista ao Jornalista Fabiano Brasil

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